O Festival do Rio fechou sua 28ª edição na noite de domingo, 11 de outubro, com a tradicional cerimônia de entrega de prêmios no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro. Apresentada pelos atores Vanessa Giácomo e Rafael Infante, a noite consagrou os vencedores dos Troféus Redentor da Première Brasil e da Mostra Novos Rumos, além dos premiados da Première Latina, da Mostra Expectativa e do Prêmio Felix, consolidando o evento como uma das principais vitrines do cinema nacional e latino-americano.
Ao longo do festival foram exibidos 101 filmes brasileiros entre longas e curtas-metragens, sendo 45 deles concorrentes nas mostras oficiais - um volume que reforça o papel do festival carioca como termômetro da produção audiovisual do país em um ano de safra robusta para diretores estreantes e nomes já consolidados.
A Margem do Rio domina a Première Brasil
O grande destaque da noite foi "A Margem do Rio", de Enock Carvalho e Matheus Farias, eleito Melhor Longa-Metragem de Ficção pelo júri oficial da Première Brasil. O filme, produzido pela Gatopardo Filmes, também levou os prêmios de Melhor Fotografia (Luciana Baseggio), Melhor Som (equipe liderada por Moabe Filho) e Melhor Atriz Coadjuvante, compartilhado entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken - um desempenho coletivo que indica a força do elenco na condução da narrativa. Na categoria documentário, "Elza", de Eryk Rocha, levou o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem Documentário, enquanto "Vicentina Pede Desculpas", de Gabriel Martins, venceu Melhor Roteiro e Melhor Direção de Ficção, além do Prêmio de Melhor Longa-Metragem Ficção pelo Voto Popular.
Na interpretação, Victor di Marco foi eleito Melhor Ator por "LONDON", filme que também lhe rendeu, ao lado de Márcio Picoli, o prêmio de Melhor Filme Brasileiro do júri da FIPRESCI. Já o prêmio de Melhor Atriz teve um empate simbólico entre Isabel Teixeira, por "Diário do Fogo", e Grace Passô, por "A Professora de Francês" - longa que ainda venceu em Melhor Trilha Sonora Original, com Florencia Di Concilio, e Melhor Ator Coadjuvante, com Pedro Goifman.
Novos Rumos e Felix projetam novos talentos
Na Mostra Novos Rumos, dedicada a óperas-primas e segundos trabalhos, o grande vencedor foi "Não Estamos Sonhando", de Ulisses Arthur, eleito Melhor Longa-Metragem, com Pedro Leão levando o prêmio de Melhor Ator pela mesma produção. Thais Fujinaga foi reconhecida como Melhor Diretora por "Talismã", e Nina Prado venceu Melhor Atriz por "O Deserto de Luiza", longa de Alan Minas que também conquistou o Prêmio de Melhor Longa pelo Voto Popular da mostra.
Já o Prêmio Felix, voltado à diversidade sexual e de gênero no cinema, teve "A Margem do Rio" novamente em evidência, desta vez como Melhor Filme Brasileiro. Na competição internacional da categoria, "Em Segredo", da diretora franco-tunisiana Leyla Bouzid, foi o grande vencedor, enquanto "Pai e Pai", de Jake Witzenfeld, levou Melhor Documentário.
Voto popular e aquisições garantem distribuição
O festival manteve a fórmula que une crítica especializada e preferência do público. Nas categorias de Voto Popular, "Maria Vitória", de Mário Patrocínio, venceu na Mostra Expectativa e garantiu o Prêmio Aquisição TV Globo, assegurando uma janela de exibição na televisão aberta. Na Première Latina, "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", do mexicano Bruno Santamaría Razo, foi o escolhido pelo público e recebeu o Prêmio Aquisição Telecine - o mesmo filme também foi eleito Melhor Filme Latino pela FIPRESCI, reforçando a recepção crítica ao trabalho.
Fechando a premiação, Rita Von Hunty, personagem de Guilherme Terreri, recebeu o Prêmio Suzy Capó de Personalidade do Ano, reconhecimento que celebra contribuições relevantes para a cultura e o audiovisual brasileiro. A 28ª edição do Festival do Rio reafirma, assim, seu papel como ponto de encontro entre cinema autoral, mercado e público, ano após ano.